terça-feira, dezembro 30, 2008

What a difference...



P.S.: Para meu pai - A música que me faz chorar... a história fica para outro dia...

P.S. 2: Por alguma estranha razão, há pessoas que não conseguem visualizar o post, que nada mais é do que uma caixinha para ouvir música...antes que achem que postei um título e nada mais (não é uma má idéia, mas não é o caso, ainda...) deixo o link :
What a difference a day made -
http://www.goear.com/listen.php?v=d1c61c1

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Enquanto isso, na janela da cozinha...

A vista lá de casa é a mais linda do mundo,
Veio com a cidade, um sorriso, e você junto.
Ah… a vista lá de casa…
Tem meu coração também.
Desenhado com seu traço.
Cravado bem no fundo.
Ah…a vista lá de casa…
É a mais linda do mundo.



















Temporal em SP : As fotos foram tiradas nesta sequência, durante aproximadamente 10 minutos e estão sem efeitos ou ajustes de cor.
fotos e poesia: Carolina de Carvalho - 2008

sexta-feira, dezembro 19, 2008

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Os Mistérios de Clarice...

...
Luas claras na varandas
Jardins de sonho e cirandas
Foguetes claros no ar
Que mistério tem Clarice
Que mistério tem Clarice
Pra guardar-se assim tão firme, no coração
...
Mas Clarice
Era a inocência
...
Fez-se modelo das lendas
Das lendas que nos contaram as avós
Que mistério tem Clarice
Que mistério tem Clarice
...























pintura: Henri Matisse, Gold Fish, 1911
música: Caetano Veloso, José Carlos Capinam
para ouvir:
http://www.youtube.com/watch?v=MalkQS5ECyc

quinta-feira, dezembro 11, 2008

As Cores do Dia...

No céu,
O laranja torna rosa,
O azul brinca de ser lilás.
Tons saltam.
Nós, estáticos.

A euforia tranquila
Do peito compassado.
Sabor de gotículas d’água
Suspensas no ar.

No reino de Afrodite,
Somos como Hilda Hilst.
“Um arco-íris de ar,
Em águas profundas".


poesia: Carolina de Carvalho - foto: Zena Holloway (www.zenaholloway.com)

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Azul

Despertou com as folhas esparramadas pelo chão de madeira. O sol refletia no rosto o sal de mar. Veleiros exibiam balões coloridos e enfileirados. Mostravam o rumo que o olhar deveria seguir. O silêncio definia o tom exato de seu delírio. Só o suor escorrendo pela face dava algum sinal de que suavemente ainda vivia.
Era sexta – feira. Sabia disso porque o jornal que não fora totalmente carregado pelo vento marcava em seu cabeçalho, “sexta – feira”. Na memória, ainda turva, um sabor adocicado. Cerrou os olhos com a esperança de focar a lembrança em um gesto, um movimento. Buscava exatidão.
Uma pequena borboleta pousou levemente em seu peito. Era azul. Suas asas tinham desenhos simples e simétricos que remetiam `aquelas brincadeiras infantis em que se usam bolômetros na busca de círculos perfeitos, um dentro do outro, infinitamente, um dentro do outro, insistentemente, formando mandalas.
Inspirou. Num movimento lento, encheu o peito e assoprou em direção `a delicada borboleta. Sussurrou para que voasse alto e conseguisse, daquele sopro, retirar a energia necessária para viver um pouco mais do que os sete dias `a que estava predestinada.
O gosto de sangue instalado na garganta não deixava margem `a enganos. As palavras corajosas ditas em meio as lágrimas tomaram forma em seus ouvidos como cortes precisos de navalha, finos retalhos em seus poros. Fundos porém gentis. Lembrou do beijo derretendo em seus lábios. Desta vez, fechou os olhos com mais força e pôde sentir a linda borboleta voar em direção ao mar.
Os veleiros não mostravam mais suas cores. Suas velas, agora brancas e em riste, confundidas ao horizonte, não permitiam distinguir o que era céu, o que era água, o que era azul.
Só o suor escorrendo pela face dava algum sinal de que suavemente ainda morria.



foto: Shark - http://www.charquinho.weblog.com.pt

sexta-feira, novembro 14, 2008

Reflexão Sobre a Reflexão II






















Cate Blanchett no papel de Bob Dylan - no filme " Não Estou Lá"

quinta-feira, novembro 06, 2008

quarta-feira, novembro 05, 2008

Foolish VII

Hoje tinha uma coisa
Pra te mostrar. Pra te dizer.
Pra te cantar. Pra te comer.
Hoje tinha essa coisa de sorrir.
Sorri.

terça-feira, outubro 28, 2008

Se...

Se quiser saber de mim,
Estou cá na janela.
Vendo a garoa fina,
Coroar o dia cinzento.

Se quiser saber de mim,
Tenho frio.
Não sei se vem da rua,
Ou de dentro.

Se quiser saber de mim,
Vem pra janela,
Muda o dia!
Traz sossego,
Pra onde só há vento.

Se quiser saber de mim…


















" Blue Dancers " - Edgard Degas ( 1899 )

sexta-feira, outubro 17, 2008

A Estrutura da Bolha de Sabão

Era o que ele estudava. "A estrutura, quer dizer, estrutura", ele repetia e abri a mão branquíssima ao esboçar o gesto redondo. Eu ficava olhando seu gesto impreciso porque uma bolha de sabão é mesmo imprecisa, nem sólida nem líquida, nem realidade nem sonho. Película e oco. "A estrutura da bolha de sabão, compreende?". Não compreendia. Não tinha importância.......
Lygia Fagundes Telles












No meio de uma multidão: " Nossa Lygia, que confusão!" . Ela sorriu e cochichou em nossos ouvidos: " Tudo é confusão"... Proféticas palavras que, segundo ela, foram ditas por Machado de Assis...

terça-feira, outubro 14, 2008

Arrepio...

...Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano en tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.
Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mi como una luna en el agua.















texto: Julio Cortázar; foto: Henri Cartier Bresson

quinta-feira, setembro 25, 2008

Portifólio IV - Irma Vap

Uma entre tantas.

Entre os tantos mil espectadores que durante 12 anos assistiram `a primeira montagem do espetáculo, havia uma menina, com seus 10 ou 11 anos de idade e que vivia uma possibilidade de aventura absolutamente mágica.
Era a primeira vez em que ia, conscientemente, `a um espetáculo de teatro. Com a mão grudada na mão da prima, um ano mais velha, e a outra agarrada na mão da avó .
Sentindo um frio na barriga pelo pânico de assistir a um espetáculo de “adultos”. Desembarquei no meio de uma multidão de pernas, muito maiores que eu inteira. Saímos do táxi e ficamos esperando minha avó, Ana, na beira da calçada, enquanto a fila da bilheteria se desenrolava. As mãos continuavam grudadas. Minha prima tinha a obrigação de cuidar de mim, enquanto vovó entrava confiante no meio da multidão para conseguir nossos ingressos.
Os gorros, cachecóis, casacos e a espera, só aumentavam a tensão – será que ela conseguiria? - Estar no centro da cidade, no frio e na chuva, característicos de São Paulo, em um teatro com um painel de mosaico se agigantando para cima de mim, era no mínimo assustador. O teatro era o Cultura Artística ( talvez até tenha sido em outro, mas ficou gravado como se fosse). O espetáculo, “Irma Vap”.
As recordações que ficaram foram das muitas trocas de roupa, do óbvio não entendimento dos cacos políticos, uma peruca pra cá, um vestido pra lá, os dois atores de quem tanto gostava, o cenário enviesado pelo acento lateral e claro, as risadas. Que eram muitas.
A avó com o sorriso estampado no rosto e um brilho de travessura, que só ela conseguia carregar, nos olhos. Travessura esta, que havia sido premeditada, sem o aval de nossas mães. Uma sorrateira surpresa da matriarca! A pipoca doce na saída e a inveja das mães ao saber do rapto. nos proporcionaram uma recordação ainda mais deliciosa. Em 2005 a minha querida avó Ana se foi, deixando em nós, muitas destas saborosas alegrias.
20 anos depois desta primeira pipoca na saída do teatro, veio a reestréia e o novo elenco, tão poderoso como o anterior, e resgataram em mim aquela lembrança, aquele olhar de travessura que tanto me acompanhou. Fizeram com que o sabor ficasse ainda melhor! Tornando possível que eu, finalmente, entendesse um pouco mais desse mistério que é “Irma Vap”.
É com muita humildade que, depois de assistí-los, resolvi contar essa pequena historieta … Num desejo de que outros tantos anos passem e que outras tantas meninas tenham a chance de guardar na memória o deslumbramento de vê-los em cena.





















P.S.: Layouts feitos para uma concorrência de programação visual do espetáculo. Usei desenhos do Angeli (com o consentimento dele, é claro! - o último é meu mesmo)- Não ganhei, mas adorei!
vai lá: Teatro Shopping Frei Caneca.

terça-feira, setembro 23, 2008

Fuerzabruta


Pela primeira vez no Brasil Fuerzabruta faz curta temporada no Parque Villa Lobos. Fuerzabruta surgiu como mais um projeto do grupo argentino De La Guarda. A criação é do diretor Diqui James e do compositor e diretor musical Gaby Kerpel. Segundo o diretor o espetáculo tem grande inspiração no Brasil, principalmente no carnaval e na energia que festa passa ao público.O show vai do silêncio até um nível musical que atinge muitos dB(*) e exploram todas as emoções da platéia. Entre jogos de luzes, corpos suspensos, inúmeros movimentos e musicalidade os atores, que freneticamente desafiam a gravidade, envolvem o público e tudo se transforma em algo único, real e de grande força cênica. No inicio do espetáculo, o público se depara com um homem, sustentado por um cabo de aço, que está no meio de corrida insana, sob uma esteira rolante, explodindo paredes e passando por vários cenários. Homens e mulheres percorrem grandes cortinas prateadas que passam muito perto do público. Minutos seguintes os atores fazem coreografias que envolvem com o ritmo e as batidas da música, e ao mesmo tempo interagem com o público.
O espaço onde Fuerzabruta será apresentado é composto por toneladas de estruturas metálicas e cabos. Uma tenda de aproximadamente 50 metros é transformada num imenso palco, que dá suporte para as centenas de luzes e caixas de som. O espetáculo tem capacidade para mil pessoas em pé que interagem com os atores, cenários e cenas impactantes. (texto extraído - www.guiadasemana.com.br )

(*) Rubrica: física, metrologia. Unidade utilizada na medida da intensidade do som, correspondente à décima parte do bel [símb.: dB] Etimologia - ing. decibel (1928), composto de deci + bel; o termo bel foi criado pelos norte-americanos em homenagem a A.G. Bell (1847-1922, físico escocês), inventor do telefone - portanto 1 decibel, muitos decibels e não decibéis como é usual!!não?!

sexta-feira, setembro 19, 2008

Que Sufoco...

Borboletas na barriga,
Num vai e vem sem fim.
Frenéticas!
Estreitam a garganta,
À espera da hora certa.












foto: Helmut Newton; poesia: Carolina de Carvalho - 2005

The Beauty of Being Free

Can we get high and not fall?
Stop what you're doing,
Before it gets all out of hand.
Let’s just have a nice cup of tea...
Before the end.

Even the shinning Moon,
Even the bright Sunset,
Can’t pay the price
Of our wonderful laugh.

The beauty of poetry is well worth.
A certain beauty about being free…
Maybe that’s why you can’t hold me.
Maybe there’s nothing to be.

…So…Let’s just have a nice cup of tea...

















Almost a Song...Carolina de Carvalh0 - 2006

segunda-feira, setembro 15, 2008

Foolish VI

A história da menina e da aquarela,
da água, da tinta e da janela…

A menina na janela,
Coloriu e sorriu,
Amarelo de sol,
No cinza do frio.
Chorou e fugiu.
A menina na janela,
Fez chover na aquarela.
E a tal história;
Da menina e da aquarela;
Da água, da tinta e da janela…
Já era.














poesia: Carolina de Carvalho - foto: Claudio Marcelo Kornfeld

sexta-feira, setembro 12, 2008

Dossiê Rê Bordosa

Pré-estréia do curta-metragem Dossiê Rê Bordosa, dirigido por Cesar Cabral e produzido pela Coala Filmes, nesta sexta-feira 12 de setembro, à meia-noite, no Reserva Cultural.
O filme participou de vários Festivais - É TudoVerdade, I Festival de Paulínia, Anima Mundi, Festival Internacional de Curtas de SP, Festival de Gramado, ... - acumula prêmios de crítica e público. A animação stop motion conta com vozes de Grace Gianoukas como Rê Bordosa, Peréio como Bibelô, e Laert Sarrumor como Bob Cuspe, além de depoimentos de Laerte, Toninho Mendes e outros "cúmplices" deste violento assassinato.
Desvendando porquê Angeli matou Rê Bordosa no auge de sua fama....


vai lá: Reserva Cultural - Av. Paulista, 900.

terça-feira, setembro 09, 2008

João e Maria

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?






















Composição: Chico Buarque / Sivuca - foto: Chico em 2008

segunda-feira, agosto 25, 2008

Foolish V

Falar só por falar,
Sem pensar pra quê.
Blábláblá sem nexo,
Depois o dia amanhece,
E a gente esquece,
Aquilo tudo de dizer.
Volta, simplesmente,
A ler e reler...


















poesia: Carolina de Carvalho -
foto: Zena Holloway (www.zenaholloway.com)

quarta-feira, agosto 20, 2008

Romántica...y sin perder la ternura...


show: Muppet Beaker sings Yellow by Coldplay

terça-feira, julho 29, 2008

Erro de Português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.















poema: Oswald de Andrade ; foto: Eu, morrendo de frio!!

sexta-feira, junho 13, 2008

Fagulhas

Abri curiosa o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria rir, chorar,
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que
os ares me beijavam.
Eu queria entrar,
coração ante coração, inteiriça,
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.
Eu queria até mesmo saber ver,
num movimento redondo
como as ondas que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria (só) perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.
Eu queria captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço nu e cheio.
Eu queria ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.
Eu não sabia que virar pelo avesso era uma experiência mortal.

Ana Cristina César

quinta-feira, junho 05, 2008

Foolish IV

Farei um poema louco e breve,
Como tua boca pede.
Farei um poema como queres,
Novo e leve.
Ai, quem dera ser tão doce
Como seus versos descrevem.
Alcançaria a Lua,
Linda e nua.
Ela, metade minha.
Eu, metade sua.













poesia: Carolina de Carvalho (2007) - foto: roubei da Cléo...

domingo, maio 18, 2008

Lua...Lua...Lua...Lua...

Déjame sueltas las manos y el corazón, déjame libre!
Deja que mis dedos corran por los caminos de tu cuerpo.
La pasión —sangre, fuego, besos—me incendia a llamaradas trémulas.
Ay, tú no sabes lo que es esto!
Es la tempestad de mis sentidos doblegando la selva sensible de mis nervios.
Es la carne que grita con sus ardientes lenguas!
Es el incendio!
(...)
Déjame libre las manos y el corazón, déjame libre!
Yo sólo te deseo, yo sólo te deseo!
No es amor, es deseo que se agosta y se extingue,
es precipitación de furias, acercamiento de lo imposible,
pero estás tú, estás para dármelo todo,
y a darme lo que tienes a la tierra viniste—
como yo para contenerte, y desearte, y recibirte!

(Pablo Neruda)

quarta-feira, maio 14, 2008

Portifólio III - A Megera Domada




Foram 8 anúncios diferentes para a imprensa, 2 para o metrô, flyer, cartaz, convite, camiseta, banner e um programa com 50 páginas... ufa! que correria...eu que fiz!
Vai lá: Teatro Sérgio Cardoso - Estréia 31/05

sexta-feira, maio 09, 2008

Para alegrar o dia....

Something ...

video

Composição: George Harrison / Paul McCartney & Eric Clapton in the Concert for George...

sexta-feira, maio 02, 2008

Colombina...

Já quis ser muito na vida,
bailarina, trapezista,
rainha e anarquista.

Certa feita descobri,
Nasci mesmo pra ser flor.
Coisa de quem arrisca,
Nasce e morre pro amor.

foto e poesia: Carolina de Carvalho; "Borboletário" em Belém do Pará - 2008

sábado, março 15, 2008

Portifólio II - O dadaísmo de Majeca

Com paixão e inteligência Angélica Angelucci criou "Walkiriana", um espetáculo que traz repercussões dadaístas, tanto na forma quanto no desencanto com a realidade do mundo contemporâneo.Ela nasceu há cinco mil anos e, antes de se tornar mensageira de Odin, viveu o esplendor do Egito na corte do Faraó, seu pai. Honra Odin assegurando odiar brigas, mas amar a guerra; também o honra ao cultuar a sabedoria no século das luzes. Iluminista iluminada, acredita-se. Íntima de Voltaire, próxima de Robespierre. Andou pela Bastilha, quando a guilhotina fazia chover cabeças em Paris. Talvez tenha sido nessa época que se tornou maestra. Isto porque, na sua voracidade de saber e de viver, descobriu que a música compartilha no cérebro humano o mesmo mocó da sexualidade. E nesses tempos de revoluções e melodramas, nasceu o romantismo, no qual o amor fatalmente tem final infeliz, não dá certo, mas dá sempre uma ópera!
Em performance apaixonada Angélica Angelucci cria um espetáculo inteligente e amargamente divertido.
Esse enredo, configurado no limite da alta filosofia, com o dadaísmo e o escracho é que Angélica Angelucci, a Majeca, desenvolveu em "Walkiriana", uma tragicomédia em quatro regências. Não é obra merecedora de aplausos irrestritos, é verdade. Mas está longe de ser a bobagem que algum desavisado possa ver a custa de seu olhar desatento.

A trajetória dessa fantástica mulher milenar (que em longevidade supera a Orlando da Virginia Wolf) pode – creio mesmo que deve – ser entendido como uma visão dadá do mundo contemporâneo. Seu relato de vida é recorrente, tanto geográfica quanto histórica e musicalmente. Como a criança que não separa a fantasia da realidade e as opera com a imaginação, Majeca conduz sua Walkiriana por terras e mares. Não se peja em misturar Wagner, Mozart e Villa-Lobos a sambistas e forrozeiros. Nem Nietzsche (que andou lhe confidenciando coisas em certo período) a Paulo Coelho. Nós, pobres (ou privilegiados?) habitantes do terceiro milênio, somos a soma de tudo o que foi, de tudo o que aconteceu e formatou nossa humanidade.

Como uma walkiria, recolhendo nos campos de batalha os heróis tombados, ela sofre também o impacto da tragédia – e nisso está a sátira ou a carnavalização realizada por Majeca – perdendo primeiro o braço esquerdo, numa das guerras do século 19, e depois o direito, já na 2ª Guerra Mundial. Cotó de um ou dos dois braços, não importa, a maestra continua a reger seu concerto metafísico pelo tempo afora. Um retrato grotesco da cultura ocidental que hoje, absolutamente aviltada pelas pulsões e compulsões consumistas, perdeu o senso de valor espiritual. Mas não manifesta a crítica com o dedo em riste (até porque com a perda dos braços, faltam-lhe as mãos e, conseqüentemente, os dedos), mas com o próprio corpo colocado em sacrifício.

A idéia da obra é da própria Angélica Angelucci, que teve a colaboração de Pepê Mata Machado para a finalização do texto, de Lulu Pavarin, na direção cênica e de Wilson Surkorski na criação de música original. E na realidade todos esses artistas estão com ela em cena, apoiando-a em sua evolução milimetricamente destrambelhada. Será difícil definir por escolas estéticas ou pelas vertentes em moda nos nossos palcos essa manifestação dadaísta de Majeca, mas é empolgante vê-la evoluindo em cena com toda paixão, com uma divina vontade de dizer algo sobre ela mesma, sobre nosso tempo...

Sebastião Milaré - www.antaprofana.com.br

Walkiriana nem sempre foi maestrina. Uma antiqüíssima mulher vivendo inúmeras venturas, peripécias e tragédias, sem se abalar, percorrendo diferentes momentos históricos e linguagens estéticas; afirma ser uma iluminada iluminista.

Walkiriana - uma tragicomédia em 4 regências;
texto: Angélica Angelucci, Pepê Mata Machado; direção: Lulu Pavarim;
foto: Flambart; design gráfico: Carolina de Carvalho
Temporada Centro Cultural São Paulo - 28/03 a 27/04

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Sol...

Há num joelho ferido.
Aventura de menino,
Jogando futebol.
Travessura de menina,
Invadida pelo Sol.



poesia:Carolina de Carvalho - 2005; foto:1979

terça-feira, fevereiro 12, 2008

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Bienvenue dans l'univers d'Amélie Poulain

Monsieur, quand le doigt montre le ciel, l'imbecile regarde le doigt...

tradução : Senhor, quando o dedo mostra o céu, o imbecil olha o dedo...

terça-feira, janeiro 29, 2008

Ficção

O homem parado na minha frente havia tirado de dentro de uma bolsinha de couro, já envelhecida pelo tempo, uma pinça metálica. Pequena e de pontas semi-afiadas. Delicadamente levantou minha blusa e beliscou, com a ponta da pinça, uma pinta de nascença do lado direito do meu ventre. Foi no mesmo instante em que senti um cheiro de flores invadindo o ambiente, um cheiro doce e forte.
O homem, que tinha a barba cerrada e amarelada, tirava de dentro mim um botão de flor,incandescente. Suas pétalas tinham na base um colorido lilás e azulado fosforescentes. O centro do botão era transparente e a medida em que olhava para o vértice, o amarelo alaranjado crescia, faiscando raios finos e infinitos que iluminavam todo o ambiente. Era um botão de flor e de fogo.
Ouvi passos apressados subindo as escadarias do lado de fora do quarto onde estávamos. Um quarto escuro, pequeno e úmido. As tábuas do teto quase despencando, indicavam que o local estava abandonado há algum tempo. O som dos passos era pesado, seco. Logo imaginei homens escondendo seus rostos em capacetes negros e em fardas, também negras, cheias de apetrechos de guerra e armas com lanternas nas pontas que iluminavam os corredores, em frenesi, e vinham em nossa direção.
A voz estrondosa do homem de barba amarela penetrou em meus poros: “Você está a salvo, fuja pela escotilha, eles virão atrás da flor.”
Pressionei meus lábios aos dele, com a força de quem não iria encontrá-lo tão cedo. Ele sorriu, nos abraçamos e fugi, em tempo de ouvir. “ Você é meu anjo….”.
Tentei guardar na memória o sorriso protetor daquele homem misterioso, aquela sensação de segurança. Subi por uma pequena escotilha incrustada no teto imaginando o que aconteceria com meu protetor e o quê, na realidade, seria aquela flor incandescente.
O barulho que se seguiu foi tão forte que não tive tempo de perceber se era do teto que havia desabado, ou se eram as armas dos homens de capacete. Pensei se estaria mesmo em segurança e no que poderia acontecer `aquele homem…

Acordei com o suor atrás do pescoço, escorrendo lentamente. A cama tremia numa intensidade tal, que demorei um tempo para entender que tudo não passara de um sonho. Cerrei os olhos, esfregando o dorso da mão, num gesto infantil.
Flashes de luzes brancas, pequeninas e brilhantes se formaram na pupila, turvando a visão que demorou a voltar e definir o desenho do quarto onde estava. Apoiei a cabeça na parede fria atrás da cama, o suor continuou a escorrer, agora pela coluna toda, arrepiando o corpo.
O aroma de flores invadiu o apartamento, uma mistura de jasmim e rosas, o mesmo aroma doce e forte do sonho. Levantei de sopetão e fui em direção `a cozinha. A chaleira em cima do fogão apitava, o vapor quente saia de dentro dela, olhei para meu ventre e a pinta de nascença continuava lá, intacta.
Ouvi alguém atrás de mim : “ Você é meu anjo.”
Ao virar, vi aquele mesmo homem de barba, o mesmo sorriso terno. Só que desta vez, ele trazia um pequeno papel em suas mãos. Estava escrito: “Positivo”


Chá de Rosas: 4 xícaras (chá) de água; pétalas de 6 rosas; 1 colher (café) de água de rosas;
Coloque a água numa chaleira e leve ao fogo alto. Quando ferver, coloque as pétalas e deixe por 5 minutos. Retire e junte a água de rosas. Adoce à gosto e sirva imediatamente.


terça-feira, janeiro 15, 2008

Lua de São Jorge...

Ó São Jorge, meu santo guerreiro, invencível na fé em Deus que trazeis em vosso rosto a esperança e confiança, abrí meus caminhos.
Eu andarei vestida e armada com vossas armas para que meus inimigos, tendo olhos não me vejam, tendo pés, não me alcancem, tendo mãos, não me peguem e nem mesmo pensamentos possam ter para me fazerem mal.
Armas de fogo, o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrar.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estendei vosso escudo e vossas poderosas armas protegendo-me com vossa força e grandeza.
Ajudai-me a superar todo desânimo e a alcançar a graça que vos peço.
Dai-me coragem e esperança, fortalecei a minha fé e auxiliai-me nessa necessidade.

foto: Carolina de Carvalho - Castelo de São Jorge - Lisboa - 2007

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Mamma Mia

Maria Neta de Victória
Santa Aurora Virtuosa
Maria Filha de Ana
Santa Forte Bondosa
Maria Mãe de Carolina
Santa Luz Ilumina























foto: arquivo pessoal - família amada - 1980

segunda-feira, janeiro 07, 2008

From Neederland...

Comecei o ano conhecendo o Leo, um holandês de 1,80m, loiro de olhos azuis que me interpelou na rua. Felicíssimo por encontrar uma boa alma que falasse o mínimo de inglês, o Leo e sua simpatia, estavam perdidos e haviam sido assaltados. Entre a ida ao consulado e a chegada de seu seguro viagem, ele precisava pagar um hotel xexelento na av. Brig. Luiz Antônio que custava 25 contos.
Ficamos conversando mais uns minutos até que resolvi dispor da grana, ainda que fosse um golpe…
Só que o cara era holandês! - Eu tive a certeza de que era mesmo holandês, quando me falou o nome da cidade onde nasceu, um nome pra lá de esquisito e que ele teve de repetir 3 vezes para que eu entendesse, não entendi. - E os holandeses não têm esse histórico de golpes, então, resolvi fazer minha primeira boa ação de ano novo.
O Leo foi embora a pé, com a certeza de que as pernas aguentariam sem problemas caminhar quilômetros até a Brigadeiro. Agradecidíssimo, levou também meus 25 contos.
Ao ir embora, gentilmente beijou-me as mãos, num gesto de cavalheirismo `a moda antiga. E num piscar de olhos, sumiu.
Ou essa foi a cantada mais cara que já levei, ou foi uma boa maneira de começar o ano. Fazendo uma boa ação para um desconhecido. De qualquer forma, foi um empurrãozinho para voltar a escrever, e assim, desejar `a todos, um ótimo ano novo.