Se quiser saber de mim,
Estou cá na janela.
Vendo a garoa fina,
Coroar o dia cinzento.
Se quiser saber de mim,
Tenho frio.
Não sei se vem da rua,
Ou de dentro.
Se quiser saber de mim,
Vem pra janela,
Muda o dia!
Traz sossego,
Pra onde só há vento.
Se quiser saber de mim…
" Blue Dancers " - Edgard Degas ( 1899 )
terça-feira, outubro 28, 2008
Se...
sábado, outubro 18, 2008
sexta-feira, outubro 17, 2008
A Estrutura da Bolha de Sabão

No meio de uma multidão: " Nossa Lygia, que confusão!" . Ela sorriu e cochichou em nossos ouvidos: " Tudo é confusão"... Proféticas palavras que, segundo ela, foram ditas por Machado de Assis...
terça-feira, outubro 14, 2008
Arrepio...
Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mi como una luna en el agua.
texto: Julio Cortázar; foto: Henri Cartier Bresson
quinta-feira, setembro 25, 2008
Portifólio IV - Irma Vap
Uma entre tantas.
Era a primeira vez em que ia, conscientemente, `a um espetáculo de teatro. Com a mão grudada na mão da prima, um ano mais velha, e a outra agarrada na mão da avó .
Sentindo um frio na barriga pelo pânico de assistir a um espetáculo de “adultos”. Desembarquei no meio de uma multidão de pernas, muito maiores que eu inteira. Saímos do táxi e ficamos esperando minha avó, Ana, na beira da calçada, enquanto a fila da bilheteria se desenrolava. As mãos continuavam grudadas. Minha prima tinha a obrigação de cuidar de mim, enquanto vovó entrava confiante no meio da multidão para conseguir nossos ingressos.
Os gorros, cachecóis, casacos e a espera, só aumentavam a tensão – será que ela conseguiria? - Estar no centro da cidade, no frio e na chuva, característicos de São Paulo, em um teatro com um painel de mosaico se agigantando para cima de mim, era no mínimo assustador. O teatro era o Cultura Artística ( talvez até tenha sido em outro, mas ficou gravado como se fosse). O espetáculo, “Irma Vap”.
As recordações que ficaram foram das muitas trocas de roupa, do óbvio não entendimento dos cacos políticos, uma peruca pra cá, um vestido pra lá, os dois atores de quem tanto gostava, o cenário enviesado pelo acento lateral e claro, as risadas. Que eram muitas.
A avó com o sorriso estampado no rosto e um brilho de travessura, que só ela conseguia carregar, nos olhos. Travessura esta, que havia sido premeditada, sem o aval de nossas mães. Uma sorrateira surpresa da matriarca! A pipoca doce na saída e a inveja das mães ao saber do rapto. nos proporcionaram uma recordação ainda mais deliciosa. Em 2005 a minha querida avó Ana se foi, deixando em nós, muitas destas saborosas alegrias.
20 anos depois desta primeira pipoca na saída do teatro, veio a reestréia e o novo elenco, tão poderoso como o anterior, e resgataram em mim aquela lembrança, aquele olhar de travessura que tanto me acompanhou. Fizeram com que o sabor ficasse ainda melhor! Tornando possível que eu, finalmente, entendesse um pouco mais desse mistério que é “Irma Vap”.
É com muita humildade que, depois de assistí-los, resolvi contar essa pequena historieta … Num desejo de que outros tantos anos passem e que outras tantas meninas tenham a chance de guardar na memória o deslumbramento de vê-los em cena.

P.S.: Layouts feitos para uma concorrência de programação visual do espetáculo. Usei desenhos do Angeli (com o consentimento dele, é claro! - o último é meu mesmo)- Não ganhei, mas adorei!
vai lá: Teatro Shopping Frei Caneca.
terça-feira, setembro 23, 2008
Fuerzabruta
O espaço onde Fuerzabruta será apresentado é composto por toneladas de estruturas metálicas e cabos. Uma tenda de aproximadamente 50 metros é transformada num imenso palco, que dá suporte para as centenas de luzes e caixas de som. O espetáculo tem capacidade para mil pessoas em pé que interagem com os atores, cenários e cenas impactantes. (texto extraído - www.guiadasemana.com.br )
(*) Rubrica: física, metrologia. Unidade utilizada na medida da intensidade do som, correspondente à décima parte do bel [símb.: dB] Etimologia - ing. decibel (1928), composto de deci + bel; o termo bel foi criado pelos norte-americanos em homenagem a A.G. Bell (1847-1922, físico escocês), inventor do telefone - portanto 1 decibel, muitos decibels e não decibéis como é usual!!não?!
sexta-feira, setembro 19, 2008
Que Sufoco...
The Beauty of Being Free
Can we get high and not fall?
Stop what you're doing,
Before it gets all out of hand.
Let’s just have a nice cup of tea...
Before the end.
Even the shinning Moon,
Even the bright Sunset,
Can’t pay the price
Of our wonderful laugh.
The beauty of poetry is well worth.
A certain beauty about being free…
Maybe that’s why you can’t hold me.
Maybe there’s nothing to be.
…So…Let’s just have a nice cup of tea...
Almost a Song...Carolina de Carvalh0 - 2006
segunda-feira, setembro 15, 2008
Foolish VI
A história da menina e da aquarela,
da água, da tinta e da janela…
A menina na janela,
Coloriu e sorriu,
Amarelo de sol,
No cinza do frio.
Chorou e fugiu.
A menina na janela,
Fez chover na aquarela.
E a tal história;
Da menina e da aquarela;
Da água, da tinta e da janela…
Já era.
poesia: Carolina de Carvalho - foto: Claudio Marcelo Kornfeld
sexta-feira, setembro 12, 2008
Dossiê Rê Bordosa
O filme participou de vários Festivais - É TudoVerdade, I Festival de Paulínia, Anima Mundi, Festival Internacional de Curtas de SP, Festival de Gramado, ... - acumula prêmios de crítica e público. A animação stop motion conta com vozes de Grace Gianoukas como Rê Bordosa, Peréio como Bibelô, e Laert Sarrumor como Bob Cuspe, além de depoimentos de Laerte, Toninho Mendes e outros "cúmplices" deste violento assassinato.
Desvendando porquê Angeli matou Rê Bordosa no auge de sua fama....
terça-feira, setembro 09, 2008
João e Maria
Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?
Composição: Chico Buarque / Sivuca - foto: Chico em 2008
segunda-feira, agosto 25, 2008
Foolish V
quarta-feira, agosto 20, 2008
terça-feira, julho 29, 2008
Erro de Português
quarta-feira, julho 23, 2008
sexta-feira, junho 13, 2008
Fagulhas
Abri curiosa o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria rir, chorar,
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que
os ares me beijavam.
Eu queria entrar,
coração ante coração, inteiriça,
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.
Eu queria até mesmo saber ver,
num movimento redondo
como as ondas que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria (só) perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.
Eu queria captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço nu e cheio.
Eu queria ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.
Eu não sabia que virar pelo avesso era uma experiência mortal.
Ana Cristina César
quinta-feira, junho 05, 2008
Foolish IV
domingo, maio 18, 2008
Lua...Lua...Lua...Lua...
Déjame sueltas las manos y el corazón, déjame libre!
Deja que mis dedos corran por los caminos de tu cuerpo.
La pasión —sangre, fuego, besos—me incendia a llamaradas trémulas.
Ay, tú no sabes lo que es esto!
Es la tempestad de mis sentidos doblegando la selva sensible de mis nervios.
Es la carne que grita con sus ardientes lenguas!
Es el incendio!
(...)
Déjame libre las manos y el corazón, déjame libre!
Yo sólo te deseo, yo sólo te deseo!
No es amor, es deseo que se agosta y se extingue,
es precipitación de furias, acercamiento de lo imposible,
pero estás tú, estás para dármelo todo,
y a darme lo que tienes a la tierra viniste—
como yo para contenerte, y desearte, y recibirte!
(Pablo Neruda)
quarta-feira, maio 14, 2008
Portifólio III - A Megera Domada
sexta-feira, maio 09, 2008
Para alegrar o dia....
Something ...
Composição: George Harrison / Paul McCartney & Eric Clapton in the Concert for George...
sexta-feira, maio 02, 2008
Colombina...
sábado, março 15, 2008
Portifólio II - O dadaísmo de Majeca
Esse enredo, configurado no limite da alta filosofia, com o dadaísmo e o escracho é que Angélica Angelucci, a Majeca, desenvolveu em "Walkiriana", uma tragicomédia em quatro regências. Não é obra merecedora de aplausos irrestritos, é verdade. Mas está longe de ser a bobagem que algum desavisado possa ver a custa de seu olhar desatento.
A trajetória dessa fantástica mulher milenar (que em longevidade supera a Orlando da Virginia Wolf) pode – creio mesmo que deve – ser entendido como uma visão dadá do mundo contemporâneo. Seu relato de vida é recorrente, tanto geográfica quanto histórica e musicalmente. Como a criança que não separa a fantasia da realidade e as opera com a imaginação, Majeca conduz sua Walkiriana por terras e mares. Não se peja em misturar Wagner, Mozart e Villa-Lobos a sambistas e forrozeiros. Nem Nietzsche (que andou lhe confidenciando coisas em certo período) a Paulo Coelho. Nós, pobres (ou privilegiados?) habitantes do terceiro milênio, somos a soma de tudo o que foi, de tudo o que aconteceu e formatou nossa humanidade.
Como uma walkiria, recolhendo nos campos de batalha os heróis tombados, ela sofre também o impacto da tragédia – e nisso está a sátira ou a carnavalização realizada por Majeca – perdendo primeiro o braço esquerdo, numa das guerras do século 19, e depois o direito, já na 2ª Guerra Mundial. Cotó de um ou dos dois braços, não importa, a maestra continua a reger seu concerto metafísico pelo tempo afora. Um retrato grotesco da cultura ocidental que hoje, absolutamente aviltada pelas pulsões e compulsões consumistas, perdeu o senso de valor espiritual. Mas não manifesta a crítica com o dedo em riste (até porque com a perda dos braços, faltam-lhe as mãos e, conseqüentemente, os dedos), mas com o próprio corpo colocado em sacrifício.
A idéia da obra é da própria Angélica Angelucci, que teve a colaboração de Pepê Mata Machado para a finalização do texto, de Lulu Pavarin, na direção cênica e de Wilson Surkorski na criação de música original. E na realidade todos esses artistas estão com ela em cena, apoiando-a em sua evolução milimetricamente destrambelhada. Será difícil definir por escolas estéticas ou pelas vertentes em moda nos nossos palcos essa manifestação dadaísta de Majeca, mas é empolgante vê-la evoluindo em cena com toda paixão, com uma divina vontade de dizer algo sobre ela mesma, sobre nosso tempo...
Sebastião Milaré - www.antaprofana.com.br
Walkiriana nem sempre foi maestrina. Uma antiqüíssima mulher vivendo inúmeras venturas, peripécias e tragédias, sem se abalar, percorrendo diferentes momentos históricos e linguagens estéticas; afirma ser uma iluminada iluminista.
Walkiriana - uma tragicomédia em 4 regências;
texto: Angélica Angelucci, Pepê Mata Machado; direção: Lulu Pavarim;
foto: Flambart; design gráfico: Carolina de Carvalho
Temporada Centro Cultural São Paulo - 28/03 a 27/04
quarta-feira, março 05, 2008
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Sol...
terça-feira, fevereiro 12, 2008
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
quinta-feira, janeiro 31, 2008
Bienvenue dans l'univers d'Amélie Poulain
terça-feira, janeiro 29, 2008
Ficção
A voz estrondosa do homem de barba amarela penetrou em meus poros: “Você está a salvo, fuja pela escotilha, eles virão atrás da flor.”
Pressionei meus lábios aos dele, com a força de quem não iria encontrá-lo tão cedo. Ele sorriu, nos abraçamos e fugi, em tempo de ouvir. “ Você é meu anjo….”.
Tentei guardar na memória o sorriso protetor daquele homem misterioso, aquela sensação de segurança. Subi por uma pequena escotilha incrustada no teto imaginando o que aconteceria com meu protetor e o quê, na realidade, seria aquela flor incandescente.
O barulho que se seguiu foi tão forte que não tive tempo de perceber se era do teto que havia desabado, ou se eram as armas dos homens de capacete. Pensei se estaria mesmo em segurança e no que poderia acontecer `aquele homem…
Acordei com o suor atrás do pescoço, escorrendo lentamente. A cama tremia numa intensidade tal, que demorei um tempo para entender que tudo não passara de um sonho. Cerrei os olhos, esfregando o dorso da mão, num gesto infantil.
Flashes de luzes brancas, pequeninas e brilhantes se formaram na pupila, turvando a visão que demorou a voltar e definir o desenho do quarto onde estava. Apoiei a cabeça na parede fria atrás da cama, o suor continuou a escorrer, agora pela coluna toda, arrepiando o corpo.
O aroma de flores invadiu o apartamento, uma mistura de jasmim e rosas, o mesmo aroma doce e forte do sonho. Levantei de sopetão e fui em direção `a cozinha. A chaleira em cima do fogão apitava, o vapor quente saia de dentro dela, olhei para meu ventre e a pinta de nascença continuava lá, intacta.
Ouvi alguém atrás de mim : “ Você é meu anjo.”
Ao virar, vi aquele mesmo homem de barba, o mesmo sorriso terno. Só que desta vez, ele trazia um pequeno papel em suas mãos. Estava escrito: “Positivo”

Chá de Rosas: 4 xícaras (chá) de água; pétalas de 6 rosas; 1 colher (café) de água de rosas;
Coloque a água numa chaleira e leve ao fogo alto. Quando ferver, coloque as pétalas e deixe por 5 minutos. Retire e junte a água de rosas. Adoce à gosto e sirva imediatamente.
terça-feira, janeiro 15, 2008
Lua de São Jorge...
Ó São Jorge, meu santo guerreiro, invencível na fé em Deus que trazeis em vosso rosto a esperança e confiança, abrí meus caminhos.Eu andarei vestida e armada com vossas armas para que meus inimigos, tendo olhos não me vejam, tendo pés, não me alcancem, tendo mãos, não me peguem e nem mesmo pensamentos possam ter para me fazerem mal.
Armas de fogo, o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrar.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estendei vosso escudo e vossas poderosas armas protegendo-me com vossa força e grandeza.
Ajudai-me a superar todo desânimo e a alcançar a graça que vos peço.
Dai-me coragem e esperança, fortalecei a minha fé e auxiliai-me nessa necessidade.
foto: Carolina de Carvalho - Castelo de São Jorge - Lisboa - 2007
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Mamma Mia
segunda-feira, janeiro 07, 2008
From Neederland...
Ficamos conversando mais uns minutos até que resolvi dispor da grana, ainda que fosse um golpe…
Só que o cara era holandês! - Eu tive a certeza de que era mesmo holandês, quando me falou o nome da cidade onde nasceu, um nome pra lá de esquisito e que ele teve de repetir 3 vezes para que eu entendesse, não entendi. - E os holandeses não têm esse histórico de golpes, então, resolvi fazer minha primeira boa ação de ano novo.
O Leo foi embora a pé, com a certeza de que as pernas aguentariam sem problemas caminhar quilômetros até a Brigadeiro. Agradecidíssimo, levou também meus 25 contos.
Ao ir embora, gentilmente beijou-me as mãos, num gesto de cavalheirismo `a moda antiga. E num piscar de olhos, sumiu.
Ou essa foi a cantada mais cara que já levei, ou foi uma boa maneira de começar o ano. Fazendo uma boa ação para um desconhecido. De qualquer forma, foi um empurrãozinho para voltar a escrever, e assim, desejar `a todos, um ótimo ano novo.

sábado, dezembro 08, 2007
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Carta Anônima - Caio Fernando Abreu
Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu ser um pouco tolo, meio melodramático, e penso então tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e nós nem percebemos, no umbigo do universo. Você toca minha mão, eu toco na sua.
Demora tanto que só depois de passarem três mil dias consigo olhar bem dentro dos seus olhos e é então feito mergulhar numas águas verdes tão cristalinas que têm algas na superfície ressaltadas contra a areia branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei que é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meu corpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você. Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente, mas penso tanto em você que na hora de dormir vezemquando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo."
...enquanto isso, na janela da cozinha...segunda-feira, novembro 19, 2007
Senta que lá vem história....
2006 - Na cerimônia de premiação, lá no Rio Grande, depois dos hinos, brasileiro e gaúcho entoados com força, ouvimos emocionados e orgulhosos, que nossos nomes estavam cravados na história do país e do movimento negro.
2007 – Entre outras coisas, houve uma crise entre a secretaria dos direitos humanos - que é a responsável junto com a fundação Palmares nas negociações com governo federal e estadual para a realização do projeto - e o município. Parece que uma índia mordeu o nariz do secretário, ou prefeito, ou algum burocrata do gênero, lá em Porongos e por conta disso, os laços entre tais instituições ficaram abalados.
Ainda estamos esperando e torcendo para que a burocracia não empate o que seria o primeiro museu deste porte e importância, num local tombado e em processo de se tornar patrimônio histórico da humanidade....
As últimas notícias: Brasília, 12/6/07
- Em visita a sede da Fundação Cultural Palmares/MinC nesta segunda-feira (11), uma comissão de parlamentares, acompanhados pelo secretário Municipal da Educação, Cultura e Desporto de Pinheiro Machado (RS), veio formalizar junto ao presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, pedido de inclusão de emenda para garantir a construção do Parque Memorial Lanceiros Negros, no Cerro dos Porongos, no interior do município. A Fundação Cultural Palmares/MinC, em conjunto com o governo gaúcho, prefeitura de Pinheiro Machado e Instituto dos Arquitetos do Brasil realizou concurso nacional para escolher o projeto arquitetônico do Parque Memorial.
O presidente da FCP/MinC, Zulu Araújo, se declarou muito satisfeito com a visita e assegurou a delegação gaúcha que está entre as prioridades de sua gestão entregar o Parque Memorial Lanceiros Negros para a comunidade gaúcha e brasileira. O empreendimento, disse Zulu Araújo, é de vital importância para a história negra brasileira (...)

Pranchas do projeto vencedor do concurso para o Memorial Lanceiros Negros; infelizmente em baixa resolução.
quinta-feira, novembro 15, 2007
Girassóis
A menina deixa
O vestido no varal.
Esquece a rima,
Solta o perfume,
Vai embora.
Sem nome.
A menina deixa
O vestido no varal.
Amarelo, florido,
Na madrugada.
Girassol.
A menina deixa
O vestido no varal.
Quebra a calha,
Espalha o mel.
A menina que deixa
O vestido no varal.
É muito mais
Do que um vestido
No varal.
homenagem singela aos 13 amados girassóis...vai lá: www2.uol.com.br/angeli
quinta-feira, novembro 01, 2007
Eu não falo japonês!
sábado, outubro 27, 2007
quinta-feira, outubro 25, 2007
Tic Tac ...
quinta-feira, outubro 18, 2007
In memoriam
O tempo aos domingos era só meu e de minha mãe. Ela sempre de bom humor, me acordava cedinho com as maletinhas prontas para irmos ao clube. Tudo organizadíssimo, roupão, biquini, protetor solar super cheiroso, sandalinha e roupinha frugal para aproveitar um belo dia de sol. E naquele domingo específico, ela deixou eu convidar uma amiguinha. O paraíso! Garantia de um dia divertido.
No meio da tarde, tinha a hora da mistura coca-cola e cheetos, huuummmm…nada melhor do que aquela horinha em que os saquinhos de cheetos eram misturados com a coca cola e o sabor de cloro da piscina que ainda estava impregnado nos dedos. Era de lamber os beiços!
Quando anoitecia íamos sempre a um restaurante pequenino na vila madalena, próximo de onde morávamos para comer um dos meus pratos prediletos, gnocchi al sugo.
As recordações desses dias, os domingos no clube, são de dias perfeitos para mim, e vêm acompanhadas de um sabor de alegria. Piscina, amigos, lanche junk, mamãe por perto e um jantar dos deuses no final de tudo.
E foi num domingo como esse que, ao sairmos da cantina, encontramos com ele. Eu, então com 6 anos, encarei o que talvez tenha sido a primeira situação de enfrentamento entre minha timidez e minha admiração.
Tive um instante para decidir, será que valeria a pena ir até lá e me declarar ou deveria ser discreta e ir embora? Lembro de puxar minha mãe meio de canto e perguntar a ela o quê fazer. E ela, com um sorriso no rosto, decerto achando graça na filha pequenina, me encorajou a deixar a timidez de lado e confrontar o desafio que aquele instante apresentava.
Respirei fundo, atravessei o restaurante e decidida pedi licença `aquele senhor, que interrompeu sua conversa com um leve sorriso e ouviu o que deveria ser o milhonésimo quarto pedido de autógrafo. Para mim, o primeiro e penúltimo que pediria na vida.
Ele, muito gentil, respondeu perguntando se eu não preferia ganhar um beijo. Eu disse que sim, mas meio desconfiada quis saber o porquê, e ele prontamente explicou que um beijo seria muito melhor porque o papel eu certamente perderia, e o beijo eu poderia guardar para sempre. Aceitei a oferta, mas não contente quis também dar um beijo meu, em retribuição. Ele aceitou, soltou uma gostosa risada e aí sim, fui embora, feliz.
É claro que não entendia ainda a dimensão exata de quem era aquele senhor, e até duvidei um pouco daquela troca, afinal para uma criança, chegar na escola no dia seguinte com um papelzinho assinado pelo ator principal da novela, teria sido bem melhor. Mas, ele estava coberto de razão, e eu invariavelmente recordo daquele dia quando penso nos meus felizes domingos ensolarados.
Hoje lembrei de novo do beijo que me destes, e te ofereço aqui, um beijo meu em retribuição.
In memoriam, ao inesquecível Paulo Autran.
foto: “Um Deus Dormiu Lá em Casa” - 1949
quarta-feira, outubro 10, 2007
Saci Perereca
sexta-feira, outubro 05, 2007
Elipse paraláctica.
terça-feira, outubro 02, 2007
Reflexão Sobre a Reflexão
quinta-feira, setembro 27, 2007
terça-feira, setembro 25, 2007
Foolish II
sábado, setembro 22, 2007
Preciosa...
Preciosa Primavera!
Traz-me flores coloridas.
Brisas perfumadas.
Borboletas encantadas.
Preciosa Primavera!
De toque tão suave…
Feche os olhos,
Voe alto!
Não tarde a chegar,
Nem ouse passar.
Preciosa Primavera!
Mostre que as delícias
De um desassossego,
São mesmo saborosas.
E que és realmente,
Primavera Preciosa!
Foto: Fabricio Colvero; a Lua vermelha é um efeito causado por refração atmosférica; a noite de quase primavera a trouxe para a minha janela. poesia: Carolina de Carvalho - 2005
quinta-feira, setembro 20, 2007
Não escondo!
terça-feira, setembro 18, 2007
Mais um
segunda-feira, setembro 17, 2007
Descrição de um Objeto Inanimado

Foto: Vick B. Spencer, Ilha de Boipeba; texto: Escrevi para uma aula de produção textual. Minha professora e amiga disse que eu cometo um milhão trezentos e cinquenta e nove erros de pontuação por linha de texto escrito. Ela tem toda razão, e é por isso que e vai dar risada quando ler isto aqui.
terça-feira, setembro 11, 2007
Ícaro
Sem fala,
Sem calma,
Sou Ícaro.
Tenho asas, vôo ao Sol.
Para que as nuvens me devorem.
Com brinde e briho nos olhos,
E não me façam sangrar.
Há dois anos numa época primaveril, escrevi esta poesia...a primeira. Depois, fiz um primeiro livreto (que ainda não foi publicado ) impresso em papel jornal refilado manualmente e entregue a pouquíssimos amigos.
quarta-feira, setembro 05, 2007
Uma planta de água, que gosta de lugares calmos
Alguns historiadores defendem que a flor-de-lis era usada em mapas para indicar o norte, Em 1302, o navegador italiano Flávio Gioja inventou a bússola como instrumento de navegação, adoptando a flor-de-lis (ou ponta de seta) para indicar o norte, em honra do rei de Nápoles Tradicionalmente, foi usada para representar a realeza Francesa, e seu sentido é de perfeição, luz e vida. A lenda diz que um anjo presenteou a Clóvis, o rei Merovingio dos Francos, com um lírio de ouro como símbolo de sua purificação por sua conversão ao Cristianismo. Outros dizem que Clóvis adotou o símbolo quando os lírios de água lhe mostraram o caminho para cruzar em segurança um rio e ganhar uma batalha..
Na Índia antiga, simbolizava a vida e a ressurreição. No Egito era um atributo do deus Horus, cerca de 2000 anos antes de Cristo.
Foi na década de 1890, que Baden-Powell adoptou a flor-de-lis usada nos mapas como insígnia (metálica) para certificar os militares (escoteiros) que completassem com sucesso um curso de exploradores que ele próprio criou.
Em espanhol flor-de-lis as vezes é escrita como "fleur-de-lys" ou "flor del lirio", Representando a flor de lírio, ou lótus, que fora imortalizado por Monet em sua série de pinturas “Nenúfar” .
O nenúfar também é chamado de lótus azul, nymphea, flor-de-lis sagrada das águas. Este nome teve origem na deusa das fontes, Nymphe. As ninfas costumavam brincar no meio dos nenúfares. Na mitologia grega, o nenúfar está ligado às virgens. Para os egípcios, o nenúfar fazia parte do nascimento do mundo, juntamente com o deus sol e o deus Osiris. No budismo, diz a lenda que Brahma nasceu de uma flor de lótus que teria crescido no umbigo de Vishnou.
Descobri, contudo que a verdadeira flor-de-lis: trata-se da Sprekelia formosíssima, uma representante da família das Amarilidáceas, originária do México e da Guatemala. Conhecida em outros idiomas como lírio-asteca, lírio-de-Saint-James (St. James lily), lírio-de-saint-Jacques (Lis de Saint-Jacques) a Sprekelia formosíssima é a única espécie do gênero.
Por que estou escrevendo isso? Sei lá... Acho que lembrei de Clarice...
"É um nome latino, né, eu perguntei para o meu pai. Desde quando havia Lispector na Ucrânia? Ele disse que há gerações e gerações anteriores. Eu suponho que o nome foi rolando, rolando, perdendo algumas sílabas e se transformando nessa coisa que parece 'LIS NO PEITO', em latim: flor de lis"
























